Grupo de trabalho criado pelo senador Nelsinho Trad aproxima MAPA e Itamaraty e mantém agenda com o setor produtivo para subsidiar as próximas negociações com o bloco europeu
Reunir o novo embaixador da União Europeia no Brasil com representantes do setor produtivo, ampliar a articulação entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e manter uma agenda permanente de reuniões com a iniciativa privada. Esses foram os principais encaminhamentos definidos nesta terça-feira (4) pelo Grupo de Trabalho sobre o Acordo Mercosul-União Europeia, criado pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Nelsinho Trad (PSD-MS).
Participaram também representantes dos ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura, da Missão do Brasil junto à União Europeia, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Consórcio Brasil Central, além de empresários e especialistas em rastreabilidade, inovação e tecnologia aplicada à pecuária.
“O grupo foi criado justamente para ouvir os setores que possam se sentir prejudicados pela implantação do acordo e construir, junto com o governo e a iniciativa privada, estratégias para enfrentar esses desafios”, afirmou o senador Nelsinho Trad.
A reunião ocorre a um mês da entrada em vigor das novas regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.
“A ciência é o que deve preponderar nessas decisões”, defendeu a representante da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Fernanda Maciel Carneiro. “O Brasil atende às exigências dos mercados mais complexos do mundo. Precisamos compreender quais requisitos ainda impedem o reconhecimento do nosso sistema sanitário”, complementou.
“Essas tendências não vão embora. Precisamos nos antecipar às medidas, fazer um planejamento de longo prazo e ter uma visão realista do mercado europeu”, defendeu o chefe da Missão do Brasil junto à União Europeia, embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva.
Pedro Miguel também sugeriu uma reunião com o novo embaixador da União Europeia no Brasil e destacou que o país precisará comprovar, por meio de auditorias, a capacidade de segregar os produtos destinados ao mercado europeu.
Na prática, o Brasil precisa demonstrar que a carne destinada à União Europeia não veio de animais submetidos aos usos de antimicrobianos proibidos pelo bloco. Para isso, a produção precisa ser identificada e acompanhada ao longo de toda a cadeia, de modo que apenas os produtos conformes sejam certificados para exportação.
Representantes do setor privado afirmaram que a tecnologia necessária para isso já existe. Advogado da MUU Agrotech e com atuação na pecuária de Mato Grosso do Sul, estado representado pelo senador Nelsinho Trad, Kalbio dos Santos defendeu a atualização do SISBOV para atender ao aumento das exigências europeias. “Precisamos atualizar esse sistema e seguir evoluindo”, disse.
“Temos soluções desde 2019. A pergunta é: por que demoramos tanto para nos adaptar? O produtor quer tecnologia e quer exportar”, questionou o fundador da empresa, Eduardo Pipole.
Secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, o embaixador Philip Fox, observou que o comércio internacional atravessa um período de maior fragmentação, marcado pela multiplicação de acordos comerciais e pelo uso crescente de normas regulatórias como instrumento de política comercial, tornando o ambiente mais desafiador para países exportadores.
Segundo ele, o MAPA já encaminhou ampla documentação técnica às autoridades europeias. Agora, com o acordo em vigor, abre-se uma oportunidade para fortalecer o diálogo político.
“A diplomacia parlamentar existe justamente para abrir esses canais de diálogo e ajudar a construir soluções antes que os problemas cheguem aos produtores. Foi isso que buscamos ao longo da negociação do acordo e é isso que continuaremos fazendo para assegurar que o Brasil não seja tratado de forma pior do que países que sequer possuem acordo com a União Europeia”, afirmou o senador Nelsinho Trad.
Fonte: Assessoria
› FONTE: 24 Horas No Ar (24horasnoar.com.br)